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SECA ESPIRITUAL – Crônica de Rinaldo Barros

pobreza-espiritualEstava eu posto em sossego quando um amigo telefona, comentando sobre a confusão posta nestas eleições municipais; com 35 partidos políticos registrados. Sem dúvida, uma crise da Democracia brasileira.
Compartilho com o leitor minha opinião: acho toda crise uma benção, porque nos indica que temos que abandonar o cadáver de nossas desilusões e trocá-lo pela inquietante lufada de ar do imponderável.
Em verdade, preocupa-me bastante a crise generalizada da ausência (seca) de ideias e de projetos políticos.
Ensinou-nos o saudoso Arcebispo honorário de Natal, Dom Nivaldo Monte, que a verdadeira fome não é de alimentos físicos, mas grave mesmo é a fome espiritual. A seca espiritual.
Ou seja, a pior miséria não é a material, mas a de conhecimento, a do espírito.
É preciso atentar bem para o fato de que, no Rio Grande do Norte, como de resto em todo o país, existem muitos candidatos; mas impera a escassez de projetos de desenvolvimento para a nossa sociedade. Como se fossem candidatos de si mesmos. É o tal do fulanismo.
Nessa pobreza espiritual generalizada, ao eleitorado resta a alternativa de escolher entre nomes de pessoas, sem saber ao certo o que cada candidatura significa.
Perdoem-me a franqueza, mas há realmente pouco sinal de vida inteligente no planeta da política brasileira.
Quem são os candidatos, em termos de ideias, ideologias ou projetos?
Defendem quais bandeiras de luta? O que pensam sobre o Mercosul? Quais deveriam ser as prioridades do PPA do RN? E do Plano Diretor de Natal? O que pensam sobre a Lei de Inovação Tecnológica? E quanto à Lei do Bem? O que pensam sobre o uso da propriedade urbana? Qual o percentual de imóveis sem regularização fundiária? Como enfrentarão o caos no trânsito? Como tratar o gerenciamento da água? Como despoluir nossos rios? E a violência urbana? Já leram o Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001)? O que fazer para evitar a evasão escolar? E a proposta de reforma do Ensino Médio? Qual a opinião do candidato (a)?
Que soluções propõem? Quais são os projetos que irão desenvolver, caso sejam eleitos?
Uma eleição para milhares de Prefeitos e Vereadores deveria representar um momento-chave para a manutenção do equilíbrio socioeconômico e para que, a contento e com clareza, via debate de ideias, pudéssemos participar do processo de escolha.
A maioria dos partidos sequer formula programas de governo e, se for publicado algum documento semelhante, a maioria do eleitorado, provavelmente, não tomará conhecimento; até porque não será dessa forma que as alianças serão seladas. São outros os instrumentos para costurá-las. Tudo depende da capacidade do candidato, na arte de se manter dentro do jogo.
Quem sabe compreender o que não é dito pelo que é dito, quem consegue questionar o “não poder” como sendo “não querer” e que dispõe de condições para (re) contextualizar situações acaba por romper inúmeras das “cascas” com as quais a realidade se reveste; também consegue desmontar a dissimulação e distinguir os amigos dos inimigos. Ou não. Pois a traição também é uma possibilidade.
A traição, a mentira, a inveja, a vaidade, a arrogância, o rancor e a trapaça são armas sempre presentes.
Pensando positivamente, relembro também do escritor peruano Mario Vargas Llosa, o qual nos ensina que:
“O futebol é o ideal de uma sociedade perfeita: poucas regras, claras, simples, que garantem a liberdade e a igualdade dentro do campo, com a garantia do espaço para a competência individual”.
Ao contrário, constata-se que nossa sociedade está longe de exibir a singela virtude futebolística referida por Llosa. Aqui no patropi, o fim da escravidão e do Império, e o surgimento da igualdade jurídica republicana e das relações do trabalho livre assalariado, ainda não superaram alguns vícios aristocráticos dos tempos coloniais.
Somos (ainda) uma República sem povo. A República e a cidadania estão num porvir incerto.
Tanto é assim que essa ausência de ideias atinge também a grande maioria dos financiadores de campanhas. Com honrosas exceções, o empresariado considera o envolvimento com o social como ação filantrópica. Grande parte desse importante segmento ainda não compreendeu que a empresa tem corresponsabilidade pelas questões sociais, econômicas e políticas.
Cada líder empresarial deveria exercer uma gestão ética, pensando no bem comum, não o imediato, que se associa com filantropia, mas no desenvolvimento sustentável do país.
E, como consequência, os financiadores deveriam exigir dos “seus candidatos” a apresentação de projetos viáveis, com os quais pretendem exercer o mandato. Apoiariam o político como uma aposta em ideias viáveis.
Se assim ocorresse, a grana ganharia até certa dignidade, seria um voto de confiança.
Resumo da ópera: todos têm o direito de se propor como alternativa para o eleitorado. Todavia, para legitimar-se, deveriam apresentar projetos concretos viáveis; como pretendem gerir os destinos de nossa gente.
E que, não fosse a seca espiritual, vencesse o melhor e o mais competente!
Como acontece dentro do campo de futebol.

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UMA BAITA ESPERANÇA! – Crônica de Rinaldo Barros

esperanca
Esta conversa é um papo reto, diante da proposta de Reforma do Ensino Médio. Tento mostrar que existe uma enorme expectativa em relação ao fato de que cientistas e profissionais da área de Educação possam responder prontamente, de modo competente e eficaz, às inúmeras e diversificadas demandas por métodos, materiais e projetos pedagógicos inovadores.
À importância política e econômica da Educação para o desenvolvimento da sociedade, soma-se ainda um aumento crescente do interesse pela Ciência e Tecnologia (de ponta) produzidas nos distantes laboratórios dos tigres asiáticos, dos Estados Unidos, da União Europeia e do Japão, todos reforçando, no imaginário coletivo, a idéia de que, por meio de suas “aplicações” a C&T, mudará para sempre nossas vidas, para melhor. Um olhar para o futuro.
Desafios para os cientistas e educadores. Nós não podemos mais ignorar o quanto estamos impregnados pela imagem de uma Ciência que triunfa sem cessar e que, por isso mesmo, já não pode parar mais de produzir sentidos positivos para a vida humana.
Se hoje tratamos de transgênicos, biotecnologia, clonagem, bioética, e nanotecnologia nas páginas de economia e política dos jornais, é porque estamos de tal forma imersos em uma cultura científica e tecnológica que não nos causa mais estranhamento ou preocupação quanto o conhecimento novo pode transformar nossas vidas.
Ao caro leitor que se interroga sobre a importância de ensinar bem Ciência e Tecnologia, tanto quanto a Leitura e a Matemática, nós diríamos que aí está o grande desafio do século XXI.
Afinal, não nos parece descabido mencionar, no atual contexto econômico e político, o fato de que o papel da Educação, nas sociedades contemporâneas, transcende, de forma muito clara, os objetivos tradicionais do ensino. Escola não pode continuar sendo chata e sem sentido para a vida, para o futuro.
É preciso (re) encantar crianças e jovens para uma escola renovada, interessante e divertida.
É fundamental que se compreenda a irreversibilidade de dois fenômenos atuais:
De um lado, não se pode mais, felizmente, por em questão os princípios democráticos que regem nossa sociedade: respeito à liberdade de expressão e ao pluralismo de ideias, universalização do ensino fundamental e médio, valorização da escola e do professor, gestão democrática das escolas, garantia de qualidade do ensino e vinculação da escola ao mundo do trabalho.
A luta continua pela igualdade de oportunidades.
De outro lado, temos a Ciência e Tecnologia como um binômio indissociável e, ao mesmo tempo, como práticas enraizadas culturalmente em nossa sociedade. Já não basta fazermos a antiga distinção entre Ciência pura e aplicada. A Ciência integra naturalmente nosso dia a dia.
Trata-se, enfim, de assumirmos um papel diferente em relação ao conhecimento e à formação do educando. Formar pessoas competentes e conscientes, produzir bens e serviços, criar bons empregos, são objetivos que estão muito além de um discurso economicista, sindical. Agora, é preciso ser sensível aos apelos humanistas em relação à Educação, como processo de reprodução de valores e comportamentos.
Por fim, queremos ressaltar que a Educação em Ciência e Tecnologia não se fará sem a participação, lado a lado, de cientistas e educadores. Todas as reflexões e estratégias para alcançar tal objetivo devem ser encaradas como uma tarefa coletiva.
Que se formem núcleos de pesquisas em Ciência e Tecnologia capazes de pensar saídas para os muitos impasses vividos, em nossos dias, na rica diversidade do patropi. Que sejam instalados escolas modelo e laboratórios didáticos em todas as escolas, bibliotecas e museus. Que se construam Parques Tecnológicos, centros de Ciência e Arte, nas capitais e no interior, no centro e na periferia!
Certamente os dilemas que dividem hoje nossos cientistas e educadores não desaparecerão, mas, estamos convictos de que o fim da ideologia utilitarista em Educação está próximo.
Resumo da ópera: é fundamental ter claro que difundir a Ciência é algo que somente se pode fazer com um sentido claro em favor da vida.
Uma baita esperança! Do verbo “esperançar”.

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ESCOLHAS DIFÍCEIS – Crônica de Rinaldo Barros

escolhas-dificeisO homem contemporâneo conquistou grande número de direitos, impensáveis para sociedades anteriores. Era comum aos governantes realizarem suas vontades e disporem de seus súditos como bem entendessem.
É exatamente o desvirtuamento das políticas por algum “déspota” que pode pôr em perigo as conquistas populares, ainda bem recentes. Na Democracia, a alternância de Poder é imprescindível para que novos métodos políticos e administrativos sejam introduzidos.
É vazia a sugestão de que a permanência por mandatos seguidos seria reconhecimento por obra feita e uma necessidade de continuidade das políticas implantadas. Governos bem avaliados podem fazer sucessores na mesma linha de ação sem o risco do personalismo da continuidade no Poder.
A Democracia não é perfeita, nem é o processo mais rápido. São necessárias muitas décadas para que mudanças concretas sejam operadas, e geralmente, as vantagens destas mudanças não são percebidas por todos.
Outra maneira de frustrar a verdadeira alternância é o próprio governo desistir de seu programa de mudanças no meio do caminho. Tal como vivenciamos com o governo Dilma, que se reelegeu mentindo.
Recentemente, o jornal O Estado de São Paulo, em seu editorial, relembrou:
“Decisões governamentais, especialmente aquelas adotadas em períodos de crise, são necessariamente políticas, mas sua pertinência e eficácia estarão condicionadas à observância de fundamentos da boa prática econômica, pela razão óbvia e inelutável de que, sem esses fundamentos, um país não alcança seu potencial de desenvolvimento.
Ignorar princípios econômicos para alimentar seus projetos de poder foi a irresponsável inversão de valores que o lulopetismo cometeu com sua voluntariosa “nova matriz econômica”.
O resultado dessa aventura é a profunda crise em que o País está mergulhado. Para os defensores da tal “nova matriz”, a justiça social é apenas questão de vontade política.
Mas vontade política, por si só, não cria riqueza.
Até há pouco o lulopetismo conseguia vender a ilusão de que o Estado pode “distribuir” riqueza antes de oferecer as condições para que ela seja criada. Hoje o País paga o preço dessa mistificação eleitoreira”.
O grande desafio político de Michel Temer é, arrostando interesses pessoais ou políticos de muitos que se apresentam como seus aliados mais próximos, assumir as medidas impopulares, mas indispensáveis ao saneamento financeiro do aparato estatal. São medidas que, além de permitir a compatibilização de despesas e receitas num prazo previsível, promovam a cuidadosa reestruturação dos institutos que disciplinam as despesas governamentais, para evitar seu descontrole mais à frente. Não deve brigar com os fatos.
A propósito, a meta mais ambiciosa de um governo democrático não pode ser a de criar, manter e ampliar indefinidamente programas sociais, mas de trabalhar para que eles um dia se tornem desnecessários.
Nossa tradição de mudanças sempre foi feita de cima pra baixo. A Independência foi um destes casos. A Proclamação da República segue o mesmo padrão, onde a participação popular foi nula.
Atualmente, com um cenário herdado de corrupção sistêmica, alta de juros, dólar e inflação nas alturas, desemprego crescente, famílias endividadas, insatisfação popular crescente, greves de diversas categorias profissionais, vácuo de liderança, ausência de governabilidade, e investidores fugindo do Brasil; com o fortalecimento dos movimentos de rua convocados pelas redes sociais; a alternância de Poder está na Ordem do Dia. O patropi vivencia momentos de escolhas difíceis, mas indispensáveis.
Antes de melhorar, ainda vai piorar um pouquinho. Quando melhorar, todos já terão esquecido as cotas e as bolsas da “nova matriz econômica” do PT governo, ninguém mais lembrará do lulo-dilmismo.

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ADEUS, DILMA! O BRASIL RECOMEÇA – Crônica de Rinaldo Barros

DILMA despedidaPor 61 votos a favor e 20 contra, no Senado, Dilma Rousseff passa a ser ex-presidente da República, e a História vai julgar o PT e lulismo. Um desfecho inimaginável, pelo menos, para este locutor que vos fala.
Os mesmos senadores, surpreendentemente, com apenas 36 votos a favor, modificaram a Constituição Federal, mantendo os direitos políticos e habilitação para exercer função pública para a ex-presidente.
Dilma perdeu o mandato, mas não tornou-se proscrita da vida política do país, apesar de ter sido condenada por ter cometido vários crimes de responsabilidade previstos na lei 1.079/50 e ferido várias leis, desde a maior delas, a Constituição, até a orçamentária e a de Responsabilidade Fiscal.
Uma solução “jabuticaba”, que só existe no Brasil.
O Brasil não poderia manter na Presidência da República uma titular que, além de reiteradamente demonstrar desapreço pelas instituições da Democracia representativa, não hesitou em atropelar os limites da legalidade no tocante à administração financeira e à legislação orçamentária.
Especificamente, autorizar créditos suplementares sem a aprovação do Congresso Nacional equivale a desconsiderar a necessidade de uma lei orçamentária e a ignorar a existência do Legislativo como contrapeso ao Executivo, atingindo dessa forma, em seu âmago, a forma republicana e democrática de governo.
Para se eleger e reeleger presidente, Dilma Rousseff participou de uma farsa arquitetada pelo ex-presidente Lula, farsa assentada, como se recorda o leitor, sobre três pilares principais: a popularidade de Lula (à época superior a 80%), embustes publicitários e recursos de origem ilícita jorrando em abundância, corrompendo consciências e comprando impunidade.
Com seus próprios recursos, Dilma não se elegeria nem para a Câmara Municipal de Porto Alegre, onde residia, e disso Lula sabia melhor que ninguém. Mas sabia também que sua popularidade pessoal, as mágicas do publicitário da corte e a cornucópia da Petrobras seriam suficientes para alçar sua pupila às alturas do Planalto. Somente o futuro revelará qual a verdadeira intenção deste tresloucado gesto.
O problema é que o despreparo de Dilma não decorria apenas de sua incompetência gerencial e de sua incultura econômica, mas de algo que, de certa forma, as precede: a pobreza de sua visão de mundo associada à arrogância de se achar a “dona da Verdade’; a que nunca erra.
Dilma é a segunda presidente da República do Brasil afastada do cargo por prática de crime de responsabilidade num período de 24 anos. Deixa de legado a maior crise econômica da história republicana e 11,6 milhões de desempregados (numa taxa que beira 21% nas camadas mais pobres da população). Deixa um déficit na meta fiscal de R$ 170 bilhões de reais, e uma máquina de governo, inchada e cara, com 39 ministérios.
Os governos do PT foram anos em que a corrupção deu as cartas, o interesse público foi ludibriado e o dinheiro que deveria servir a população transformou-se em combustível de uma tão poderosa quanto desonesta máquina eleitoral. Pior, deixaram o país dividido entre “nós’ e “eles’, milhões de pessoas em guerra fraticida.
O pesadelo está chegando ao fim. O impeachment de Dilma Rousseff foi a medida imprescindível para que o Brasil apresse a recuperação econômica, gerando empregos.
Perdemos mais de uma década. O PT não foi sequer capaz de fazer a reformulação da formação dos professores para gerar impactos nas salas de aula; e alcançar níveis competitivos de desempenho escolar. Ficamos na estação vendo o trem passar. E milhões de jovens trabalhadores perdidos, sem qualificação.
O Brasil está agora diante da chance de ter um recomeço depois do tsunami petista.
Para isso, algumas medidas serão necessárias. O ajuste fiscal é a primeira delas. Depois, fortes investimentos em infraestrutura, e novas relações internacionais, sem os bloqueios ideológicos que os inviabilizaram durante todo o período lulo-dilmista.
Por outro lado, os baixos padrões de aprendizagem de nossas escolas são determinantes para a baixa produtividade do trabalhador brasileiro, e a ausência constante de inovação tecnológica na produção nacional. Ciência e Tecnologia devem ser prioridades; ao lado do debate sobre a importância da Tolerância (conviver com o diferente) como sentimento indispensável para a construção do futuro.
Não será nada fácil, vamos precisar de todo mundo.
Por fim, aprofundando o combate à corrupção, deve-se implementar uma reforma política séria e abrangente, com o objetivo de recolocar o sistema político a serviço da sociedade.
Não há mais tempo a perder, porque foi muito grande o estrago feito pelo lulo-dilmismo.
Surge um fio de esperança. Adeus, Dilma! O Brasil recomeça.

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ESPERANÇAR – Crônica de Rinaldo Barros

ESPERANÇA“Esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo…” (Paulo Freire)
Mestre Ivan Maciel ensina que “o mais importante na Olimpíada do Rio foi o fato de nos mostrarmos ao mundo com a nossa verdadeira face. Sem macaquear as excelências estrangeiras”.
Relembra que “nossos atletas brilharam, até mesmo perdendo, como aconteceu com as seleções femininas de vôlei e de futebol. As festas de abertura e de encerramento foram antes de qualquer outra coisa genuinamente brasileiras, inimitáveis, com um sabor único, de brasilidade. Mas foram, sim, criativas, de uma alegria e animação contagiantes, de uma beleza simples – poética em sua simplicidade. Sem frescura falsamente cultural, mas de bom gosto artístico. Afinal, a Olimpíada deu certo. Inclusive na parte mais temida: a segurança”.
Contrariando temores de zika, violência e infraestrutura precária, a Rio 2016 chegou ao fim elogiada internacionalmente. Além disso, caso tenhamos algum juízo, o patropi pode ser impulsionado num salto de qualidade em sua história. Alguns legados importantes podem fazer a diferença.
O “Transforma”, programa de Educação do Comitê Rio 2016, já beneficia 28 mil alunos da rede municipal de ensino do Rio. A iniciativa, que leva os valores Olímpicos e Paralímpicos para as escolas, pode ser adotada por instituições de todo o país. Na página do programa, os professores encontram dicas de atividades e material de apoio para baixar.
A cultura é a primeira anfitriã de um país. Por isso, o Celebra – programa de Cultura do Comitê Rio 2016 – promoveu intervenções artísticas que representam a diversidade cultural brasileira, em uma ocupação inédita de ruas, parques, praças e praias da cidade sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Projetos de música, instalações, dança e arte popular despertaram na população o espírito esportivo.
Você sabia que as delegações estrangeiras passaram por um período chamado “aclimatação”?
Engana-se quem pensa que os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 vão beneficiar somente o Rio de Janeiro. São 160 locais de treinamento em 18 estados do Brasil. Isso é legado que ficará para todo o país.
O “Transforma” tem uma proposta excelente, mas o número de escolas atendidas ainda é pequeno na comparação com a quantidade de escolas existentes no Brasil.
O programa que os Jogos Rio 2016 propôs é realmente muito interessante, muito importante, que renova a concepção do esporte para a educação escolar, ele é inovador, mas entendo que ele começou um pouco tarde.
Deveria ter começado quatro anos atrás para que a população pudesse coletar os benefícios e pudesse colocar em prática o conhecimento esportivo e de cidadania, e que isso também tivesse uma continuidade.
Faltou vontade política no governo do PT para envolver as crianças do país inteiro no espírito olímpico. Equipamentos públicos, ginásios, piscinas e pistas, todas as cidades que sediam uma Olimpíada têm que ter. Nós precisamos pensar grande e ter um diferencial que é o lucro social. E esse lucro social está justamente na ponta, no investimento no aluno, na escola, na educação escolar de qualidade, que é tão relegada para terceiro plano.
O programa “Transforma” atua em parceria com as escolas e oferece material didático digital sobre os movimentos Olímpico e Paralímpico, sugestões de experimentação esportiva e cursos de formação para professores de educação física, além de propor desafios para estimular o ambiente escolar.
Diretamente, o programa já atende, desde 2013, 3 mil escolas públicas com 3 milhões de alunos nos estados de Minas Gerais, do Amazonas, do Distrito Federal e do Rio de Janeiro, com visitas periódicas, acompanhamento das atividades e promoção de cursos presenciais, além de visita de atletas olímpicos e paralímpicos. É um excelente começo.
Todavia, não há previsão de continuação do programa após os Jogos Olímpicos e o “Transforma” não oferece apoio financeiro nem equipamentos esportivos para as escolas participantes. Faltam recursos.
O governo federal tem obrigação histórica de estender o “Transforma” para todo o território brasileiro, garantindo orçamento e transferências de recursos para os Estados e municípios da federação.
O momento é muito oportuno para – governo e sociedade – implementarmos uma nova visão de futuro, elegendo a Educação como prioridade nacional, como projeto de Nação. La recherche du temps perdu.
O momento é de esperançar!

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EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO – Crônica de Rinaldo Barros

TempoA conversa desta vez é sobre os descaminhos a que o lulopetismo levou o nosso país, frustrando os sonhos de duas gerações de brasileiros.
Relembro Mário de Andrade, em sua constatação sobre a metáfora do brasileiro como Macunaíma, o retrato cultural do povo brasileiro.
Vejam se não é a cara do Lula: segundo Mário, o brasileiro é “índio branco, feiticeiro, mau caráter, preguiçoso, mentiroso, egoísta, gozador, capaz de rir de si próprio e de nunca perder uma piada”.
Lamentavelmente, este é um terreno bastante fértil para, frente à impunidade, florescer atos de corrupção, praticados com naturalidade, sem que sejam vinculados com a questão da ética ou com a moral vigente. Um passo para aceitar e praticar a corrupção em geral, em todos os segmentos e níveis.
Além disso, Gilberto Freire ensinou que “a família patriarcal determinou toda nossa estrutura social e as relações com o poder público”. Formou-se sociologicamente “uma invasão do público pelo privado, do Estado pela Família”.
O povo brasileiro capacitou-se a conviver “espertamente” com situações adversas de exploração, violência, corrupção, miséria moral, discriminação, desemprego, analfabetismo, utilizando-se das armas ou mecanismos psicológicos os mais diversos.
Ou seja, o nepotismo e a corrupção eleitoral são culturalmente aceitos pela imensa maioria da população, como algo “natural”, são instituições antropológicas da nossa mestiçagem.
Acrescente-se a isto o fato de que mais de 70% do eleitorado é formado por analfabetos funcionais (lê, mas não entende), e ainda, que os milhões de excluídos possuem apenas um único compromisso, que é consigo mesmo, com sua sobrevivência; ou seja, são facilmente corruptíveis. É assustador.
E, sob outra ótica, relembro que a história contemporânea nos levou ao término da onda industrial, à universalização da sociedade da informação (dominada pelo grande capital financeiro internacional), aos lucros astronômicos das grandes instituições financeiras, fenômeno que fez explodir o estoque de recursos financeiros, dos quais uma boa parte tem se destinado a perigosas especulações de curtíssimo prazo.
Lula, espertamente, conseguiu apoio dos dois polos que decidem uma eleição: 1) engabelou grande parte dos milhões de pobres e excluídos, com políticas compensatórias, tipo Bolsa-Família e; 2) obedeceu aos ditames da banca internacional, coordenadora da especulação; ganhando a confiança das “zelites”.
Mas, contraditoriamente, Lula não teve vontade, coragem ou competência para implantar reforma alguma no patropi, pois as reformas política, agrária, tributária, universitária, urbana e trabalhista nunca saíram do papel; sem falar que a educação, a saúde e a segurança estão piores do que nunca.
O PT, ao tempo em que conseguiu certa transformação, com ascensão social (o que poderia ser considerada uma ação de esquerda), “conquistou” a classe dominante, mantendo a ordem sem acirrar conflitos, e protegeu o lucro das grandes empresas; principalmente, o lucro astronômico do sistema financeiro.
Os governos do PT, seus descaminhos, resultaram em desordem social e econômica, 12 milhões de desempregados, inflação, juros altos, desigualdade social crescente, 60 mil homicídios por ano, violência e tráfico de drogas e armas sem controle, corrupção endêmica, e fuga de investidores.
Mais arriscado ainda: o êxito eleitoral, nos últimos 13 anos, fez subir à cabeça do ex-presidente o sentimento de que realmente ele pode tudo e mais um pouco; fazendo-o agir como se fora um cidadão acima da Lei. Foi tomado pela ilusão do poder e pela arrogância, perdeu-se.
Fecha-se agora o ciclo aberto com a Carta ao Povo Brasileiro (escrita em 22 de junho de 2002), quando o PT rasgou seus princípios, e ajoelhou-se. Um fato, pelo menos, é evidente: o Lula que “lutou contra a ditadura” nos anos de chumbo não existe mais, morreu desde 2002. O que sobrou é um zumbi.
Recentemente, o PT governo sofreu uma reprovação das contas de 2014 e 2015 pelo TCU, somada à decisão do TSE em investigar as suspeitíssimas contas da campanha para reeleição da (ainda) presidente.
Sem maioria no Parlamento, e denunciada por tentativa de obstrução à Justiça, Dilma está só e à beira do precipício. O impeachment, a ser votado no Senado, é uma possibilidade concreta.
Na verdade, Dilma não tem nem mesmo o apoio do Lula – também às voltas com a Justiça.
A única certeza, o fato, é que os sonhos de duas gerações foram atirados na lata do lixo da História.
No patropi, estamos – como diria Marcel Proust: “Dans la recherche du temps perdu”.

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