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Leia a Obra

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O HOMEM QUE DECIFROU NOSSO TEMPO – Crônica de Rinaldo Barros

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O sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman morreu nesta segunda-feira, 9 de janeiro de 2017, aos 91 anos. Ele vivia em Leeds, na Inglaterra, há décadas, e foi o criador do conceito “modernidade líquida”.
Bauman foi um dos intelectuais-chave do século 20 e se manteve ativo até os seus últimos dias. De acordo com uma amiga da família e professora de filosofia em Varsóvia, Bauman morreu em casa, cercado pela família. Uma bênção concedida a quem tem merecimento.
Sua obra, que inclui mais de 50 livros e ganhou proeminência nos anos 1960, foi reconhecida com diversos prêmios, entre eles o Príncipe de Astúrias de comunicação e humanidades, em 2010.
Zygmunt Bauman presenciou os principais acontecimentos do século 20 e na virada do milênio criou uma teoria — a liquidez do nosso tempo — que levaria seu nome para além do campo da sociologia e o tornaria um escritor best-seller.
Seus trabalhos também exploram a fragilidade das conexões humanas nos tempos modernos e a insegurança gerada por um mundo em constante transformação.
Bauman nasceu na Polônia em 1925.
Veja abaixo alguns dos seus inúmeros livros:

44 CARTAS DO MUNDO LÍQUIDO
Como separar o que é importante e significativo do que é supérfluo e descartável? Essa foi a intenção do sociólogo Zygmunt Bauman ao ser convidado pela revista italiana La Repubblica delle Donne a escrever cartas comentando aspectos do que o sociólogo chama de ‘mundo líquido moderno’. Surpreende a capacidade do sociólogo em descobrir significados sob atos aparentemente simples – uma chamada ao celular, a exposição de uma foto no Facebook, um outdoor, entre outros. Todos esses fatos que parecem casuais e desconectados se unem para reforçar a aflição do homem no mundo líquido: buscar identidade.
A CULTURA NO MUNDO LÍQUIDO MODERNO
Em nossa era líquido-moderna, na qual todas as hierarquias se dissolvem e os indivíduos passam de produtores a consumidores, a cultura já não é humana, mas de grupos, de guetos, e a agenda contemporânea põe na ordem do dia temas como cidadania, direitos humanos e convivência. Contudo – alerta-nos Bauman -, mais que lutar pelos direitos da diferença, deveríamos nos empenhar pelo direito à igualdade.
CEGUEIRA MORAL
O mal não está restrito às guerras ou às circunstâncias nas quais pessoas atuam sob condições de coerção extrema. Hoje ele se revela com frequência na insensibilidade diária diante do sofrimento do outro, na incapacidade ou recusa de compreendê-lo e no desejo de controlar a privacidade alheia. A maldade e a miopia ética se ocultam naquilo que consideramos comum e banal na vida cotidiana. Em um mundo em que se você não está nas redes sociais, não está em lugar nenhum, novas formas de censura correm soltas nas demonstrações de ódio via internet.
GLOBALIZAÇÃO – AS CONSEQUÊNCIAS HUMANAS
Sem oferecer todas as respostas sobre o tema, o sociólogo polonês mostra nesta detalhada história da globalização as raízes e as consequências deste processo, tentando dispersar um pouco da névoa e da banalização que cercam o termo ‘globalização’. Numa análise instigante, Bauman convida os leitores a uma reflexão sobre os efeitos da globalização – premissa supostamente inquestionável a respeito do nosso modo de vida – na política, na economia, nas estruturas sociais e até em nossas percepções de tempo e espaço.

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ASSIM COMO A HISTÓRIA, O NATAL É UMA FARSA – Crônica de Rinaldo Barros

verdade3“O grande oceano da verdade permanece completamente por descobrir à minha frente”. (Isaac Newton)
Prepare o seu coração, e para mudar tudo o que você aprendeu na escola sobre as origens da nossa história. Segundo fontes credenciadas, nem foi Cabral quem descobriu o Brasil, nem foi Colombo quem descobriu a América, nem o menino Jesus nasceu no dia do Natal. Vamos começar pelo que há de verdade nas circunstâncias do descobrimento do Brasil.
Naquele tempo, manter segredo sobre os descobrimentos no Novo Mundo era questão de Estado para a coroa portuguesa. Os diários de bordo eram trancados a sete chaves, e quem ousasse revelar seu conteúdo era condenado à morte.
Pois bem. Em uma dessas missões secretas, o cosmógrafo e navegante Duarte Pacheco Pereira teria chegado por aqui em 1498. Cabral teria vindo depois apenas tomar posse oficial, e fazer estardalhaço sobre a descoberta. O feito encontra-se registrado no Tratado dos Novos Lugares da Terra, de autoria do próprio Pacheco e publicado somente em 1882. Tudo confirmado pelo historiador português Jorge Couto, em seu livro A Construção do Brasil, publicado em 1995.
Registre-se também que, para o escritor potiguar Câmara Cascudo, o Brasil foi descoberto em Touros (RN), e não em Porto Seguro (BA). Suas pesquisas e estudos comprovam que a posse e a propriedade do Brasil se deram na praia de Touros, a 145km de Natal. O Marco é o mais antigo objeto de presença europeia em continente americano. Segundo Cascudo, foi colocado na praia de Touros por Américo Vespúcio.
Existem também alguns escritos que comprovam a presença anterior do italiano Américo Vespúcio, e dos espanhóis Yanez Pinzon e Diego de Lepe. Sem falar nos chineses, por volta de 1421…
Por outro lado, o caro leitor já deve ter percebido que o nosso continente tem o nome de América, e não de Columbia. Claro, homenageia-se a Vespúcio, o verdadeiro descobridor do Novo Mundo. Vespúcio dá a entender, em seu Novus Mundus, que esteve por aqui em junho de 1499, no litoral do Maranhão.
Colombo jurou até o fim da vida que havia chegado à China ou à Índia, e essa teimosia arruinou sua carreira; somente tendo sido reabilitado, em 1866, quando americanos de origem italiana inventaram o Columbus Day: um truque ideológico dos imigrantes italianos, com o objetivo de obterem o reconhecimento como cidadãos estadunidenses.
Temos ainda a comprovação documental de que os navegadores espanhóis Yanez Pinzon e Diego Lepe foram condecorados pelo rei da Espanha, por terem “descoberto o Brasil”, em janeiro de 1500.
Calma. Misture tudo e respire. Agora, vamos enfrentar a revelação mais impressionante: Cristo não nasceu em 25 de dezembro.
Mitra, um deus persa que representava a Luz, a Benevolência e a Sabedoria, esse sim, era o aniversariante na data de 25 de dezembro, em Roma, pelo menos até o século II.
A data coincide com o início do solstício de inverno, a noite mais longa do ano no hemisfério Norte. Daí em diante, o Sol fica mais tempo no céu até o final do verão e significa a certeza de boas colheitas no ano seguinte. Motivo para festas, com trocas de presentes.
Com o mesmo motivo, e no mesmo período, os gregos celebravam Dionísio, o deus do vinho, os egípcios festejavam o deus Osíris, e na China até hoje homenageiam a harmonia da Natureza, através dos símbolos yin-yang.
Os primeiros seguidores de Jesus guardavam apenas o martírio, a Sexta-feira Santa e a Ressurreição, a Páscoa. Diziam que não fazia sentido comemorar o nascimento de um santo ou mártir, já que ele somente se torna sagrado após a morte. E o apostolado de Jesus durou apenas cerca de três anos. Também concordo.
Ninguém fazia (nem faz até hoje) ideia da data do nascimento de Jesus. Somente em 221 d.C o historiador Sextus Julius Africanus afirmou, com o aval da Igreja, que Jesus havia nascido na mesma data do deus Mitra. O Novo Testamento não se refere ao assunto. Nenhum evangelista cita o nascimento de Jesus.
Segundo o historiador Pedro Paulo Funari, da Unicamp, somente a partir do século IV, no ano 313 d.C, portanto, quando o Cristianismo virou religião oficial do Império Romano (pelo Imperador Constantino quando proclamou o Édito de Milão); a comemoração do solstício do inverno, o Festival do Sol Invicto, mudou de homenageado. Esqueceram o deus Mitra e convencionou-se que Jesus nasceu em 25 de dezembro.
Associado ao deus-Sol, Jesus assumiu a forma da Luz divina que traria a Salvação para a humanidade.
Uma troca cultural, telúrica (terrena), e bastante inteligente. Esta é a História, como ela é: uma farsa.
PS. Texto publicado, na edição impressa do Jornal de Hoje, em dezembro de 2013.

(*) Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.comp

FIM DO SÉCULO XX. FIM DE UM CICLO – Crônica de Rinaldo Barros

amanhecer
A história é caprichosa. Fidel desencarnou no mesmo dia em que o iate Granma saiu do México com um grupo de 81 guerrilheiros rumo a Cuba, para – em jornada épica, quase suicida – iniciar a Revolução cubana, em 25 de novembro de 1956. Amado e odiado na sua própria família por filhos e parentes, Fidel é uma das figuras políticas mais controversas do último século.
Um homem que transformou um país com pouca expressão em um dos ícones de resistência e resiliência contra um império. Fidel foi (ainda o é?) o grande ícone da “esquerda” da América Latina. Para alguns, um santo e lutador, um assassino sanguinário para outros. Por mais contraditório e antagonista que possa parecer, Fidel foi, sobretudo, um sobrevivente, como muitos de nós, latino-americanos, explorados e sobreviventes em nossas lutas diárias desde o nascimento. Sua morte fecha um ciclo e encerra o século XX.
Fidel, antes de assumir o poder, contava com apoio de alguns cubanos influentes que financiaram o treinamento dos guerrilheiros e a divulgação de panfletos por toda a ilha. Fidel chegou a Havana, no Réveillon de 1958 para 1959 assumindo o controle do governo, após a fuga de Fulgêncio Batista (ditador de 1952 a 1958).
A Revolução Cubana, de início, não foi Socialista. Foi, sim, Nacionalista! Fidel não queria perder o apoio dos EUA. É tanto, que a sua primeira viagem internacional (à época) foi para pedir apoio aos EUA.
Entretanto, como o governo Fidel nacionalizou muitas empresas e fez uma reforma agrária radical, principalmente às custas de latifúndios pertencentes também à americanos, o governo estadunidense não poderia compactuar com perdas para seus próprios cidadãos.
Cuba sempre dependeu da ajuda externa, pois com território limitado e poucos recursos naturais, não havia como sustentar a economia numa revolução nacionalista.
Fidel, então, na época da Guerra Fria, foi quase que “jogado” nos braços dos Russos, que interessados pela proximidade territorial dos EUA (menos de 90 Km da costa dos EUA), influenciaram Fidel a proclamar Cuba um país com regime Socialista.
Cuba, sob o governo de Fidel, conseguiu significativa inclusão social, com foco na Educação e Saúde. Todavia, nunca conseguiu evoluir para um regime político fundado na Liberdade e na Democracia.
Democracia não é fácil, há que se praticar a tolerância, e aceitar a alternância no poder como pilar do Estado Democrático de Direito. Fidel não conseguiu dar este passo.
Segundo Maja Liebing da Anistia Internacional (https://anistia.org.br/), Fidel e a Revolução Cubana são responsáveis pela morte de mais de 100 mil pessoas, o que o tornaria um dos ditadores mais violentos e temidos da América Latina. Fidel teria mandado prender e matar milhares de pessoas apenas por exercer pacíficas atividades políticas (afugentando da Ilha milhares de cubanos). Calcula-se que cerca de dois milhões de cubanos exilados vivem nos Estados Unidos atualmente.
Um dos mais duros golpes contra Fidel foi a queda do bloco soviético, a partir do final da década de 1980. Com a diminuição da ajuda soviética (em dinheiro, petróleo e na compra de açúcar e outros produtos cubanos), Cuba se viu em uma crise econômica sem precedentes.
Com a economia cada vez mais debilitada, considerando que a geografia agora lhe era favorável, Fidel resolveu “abrir” a economia para o turismo. Uma nova possibilidade de criação de hotéis e resorts por empresas estrangeiras foi aberta.
Cuba também passou a exportar “mão de obra”, desde militares, que combateram nas revoluções em Angola e Etiópia, passando por professores, enviados também para diversos locais do mundo, até médicos, exportados para países como Venezuela, Bolívia, Equador e até mesmo o Brasil, para sustentar o regime cubano.
Fidel, autoproclamado agnóstico, também teve importantes encontros com os Papas João Paulo II, Bento XVI e Francisco, sempre mediando conflitos entre outros países ou grupos latino-americanos, mostrando uma influência política rara.
No ocaso de sua vida, já fora do poder oficial, Fidel orientou para o fim do antagonismo Cuba x EUA, com a aproximação entre Raul Castro e Barack Obama. O acordo foi anunciado em 17 de dezembro de 2014, e os laços diplomáticos foram restabelecidos; encerrando o último capítulo da Guerra Fria no hemisfério Ocidental, fechando as cortinas do século XX. É o fim de um ciclo.
Estamos assistindo aos primeiros clarões da alvorada de uma nova era política.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado. O que passou não voltará: feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.
Às vezes é necessário “morrer”, fechar ciclos, para que se renasça. Vida é renovação!

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FALTA MUITO CHÃO – Crônica de Rinaldo Barros

ESPERANÇA
“Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela Natureza, nos Direitos Humanos universais, na Justiça econômica e numa Cultura da Paz”. (Carta da Terra, documento aprovado pela ONU, em 2002)

Você já parou para pensar no que significa a palavra “progresso”? E “prosperidade”?
Pense mais um pouco, pois as palavras têm força: desenvolvimento, avanço, melhoria, evolução, expansão, ampliação, riqueza, fartura, abundância, qualidade de vida, civilização, trabalho, saúde, educação, informatização, cidades limpas, pontes, estradas, indústrias e muitas outras coisas, que ainda estão por vir e que não conseguimos ainda sequer imaginar.
Agora pense um pouquinho mais: será que tudo isso de bom não tem um preço?
Será que para ter toda essa facilidade de vida nós não pagaremos nada?
Relembro que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) vem sendo considerado melhor termômetro para medir a qualidade de vida das populações do que o comportamento do PIB. Nesta semana, saíram os resultados referentes aos municípios brasileiros em 2014, mostrando que as condições de renda, educação e longevidade no país perderam fôlego durante a gestão de Dilma Rousseff.
O índice que mede a desigualdade no país praticamente não se alterou nos anos Dilma. Passou de 0,53 para 0,52 – quanto mais próximo de zero menos desigual é o país.
Pesquisadores que se debruçaram sobre os resultados divulgados nesta semana suspeitam que os próximos levantamentos do Pnud registrarão piora nas três dimensões de indicadores.
Diante do que vem acontecendo no país nos últimos dois anos, esta não é mera possibilidade, mas sim sólida certeza.
Já é sabido que a renda per capita dos brasileiros caiu quase 10% desde o início da recessão, em 2014, superando até as perdas da chamada “década perdida” – mal sabíamos que, com o PT, rifaríamos não apenas dez, mas pelo menos 13 anos…
Além da falta de crescimento, a inflação colabora para o empobrecimento geral da população e a deterioração das condições de vida no país.
O caro leitor sabe que desenvolver com sustentabilidade é conquistar:
1) a satisfação das necessidades básicas da população (habitação, alimentação, segurança, saúde, educação e lazer);
2) a solidariedade para com as gerações futuras, de modo que elas usufruam de igualdade de oportunidades, que tenham chance de viver melhor no médio e longo prazo;
3) a preservação da identidade histórico-cultural de cada povo;
4) a participação democrática da população de cada comunidade envolvida e;
5) redução da poluição e preservação da diversidade dos recursos naturais: energia limpa, água limpa, oxigênio, fauna e flora.
Para tanto, o olhar da Ciência para essa questão deve ser político (com “P” maiúsculo), e exige uma abordagem teórica informada pela visão pragmática, considerando o Ser Humano como centro da vida no planeta.
O patropi vem avançando, e não é de hoje. Mas fica evidente que as políticas recentes se mostraram limitadas em dar melhores condições de vida à nossa população.
Falta muita educação, a saúde ainda é bastante precária e a desigualdade, aviltante.
E – como desafio maior – falta extirpar a corrupção em todos os níveis de governo (superando o patrimonialismo), e no seio da sociedade civil; substituindo a “Lei do Gerson” (levar vantagem em tudo) pela solidariedade e construção da cidadania.
Resta muito chão adiante até um dia virarmos uma nação realmente desenvolvida.

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ENTENDENDO TRUMP – Crônica de Rinaldo Barros

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O que explica a eleição de Donald Trump não é a política. É a economia.
Considerando os 120 milhões de eleitores que compareceram às urnas nas eleições presidenciais dos EUA, Donald Trump foi eleito, majoritariamente, por homens brancos da classe média baixa, maiores de 40 anos, com educação básica ou secundária, moradores em pequenas cidades, protestantes, com renda superior a 50 mil dólares anuais, mas também por grande parte dos nativos desempregados.
Esse segmento majoritário do eleitorado de Tio Sam não age por ideologia, mas decide seu destino a partir do bolso. O apelo de Trump foi pela reconstrução da grande nação americana, com geração de muitos empregos.
Trump assumirá no dia 20 de janeiro, quando o atual presidente, Barack Obama, se despede de seu segundo mandato. O Partido Republicano, de Trump, também assegurou maioria no Senado e na Câmara, abrindo caminho para reformas profundas.
Todavia, a questão é bem mais complexa.
Considerando o poder real, o establishment, Trump foi apoiado a partir do discurso de recuperar e modernizar o poderio militar americano – representa os interesses poderosos das empresas direta e indiretamente ligadas ao “complexo industrial militar” (produtoras de armamentos, munições, bombas, mísseis, minas, navios, porta-aviões, submarinos, aviões de caça, helicópteros, tanques, veículos militares, fardamentos, alimentos processados, medicamentos, entre outros), e empresas produtoras e distribuidoras de carvão, gás e petróleo.
Trump deve frear a luta contra as mudanças climáticas, notadamente a cooperação internacional com potencial efeito dominó sobre as economias emergentes. Veremos uma postura de menos empenho estadunidense sobre o tema.
Trump deve rever compromissos assumidos por Obama em relação ao consumo de combustíveis fósseis, tomando como base suas declarações de descrédito em relação às causas do aquecimento global.
Ou seja, o mundo agora deve andar sem os Estados Unidos na estrada para a diminuição dos riscos climáticos e do crescimento da inovação das energias limpas (eólica e solar).
Trump se referiu, ao longo da campanha, à globalização como um fenômeno nocivo para a economia americana. Ele apelou para a classe média trabalhadora – sobretudo a desempregada – prometendo trazer de volta aos EUA os empregos que foram criados no exterior, no processo de internacionalização das empresas americanas.
Esse apelo à “desglobalização” não é exclusividade da campanha republicana. Também no Reino Unido, o discurso protecionista e nacionalista fez triunfar em plebiscito a proposta de retirar o país da União Europeia, num processo apelidado de Brexit, em junho deste ano.
Forças nacionalistas capitalizaram o descontentamento provocado pela fraca recuperação da crise econômica global. Até por aqui, no patropi, petistas culparam o comércio internacional e os estrangeiros pelo fracasso dos seus governos…
Por falar nisso, uma certeza sobre o governo Trump é que haverá um aumento significativo do protecionismo na economia dos EUA, devendo ficar muito mais difícil vender nossos produtos por lá.
Mais importante que a posição contrária de Trump à globalização, contudo, é o componente de incerteza, a imprevisibilidade do novo Presidente.
Não se sabe ao certo o que o candidato republicano realmente será capaz de implementar.
A imprevisibilidade faz com que os investidores tendam a concentrar seus investimentos em ativos de menor risco. Isso significa fuga de capitais de mercados mais arriscados, como o Brasil. Isso traz grandes consequências para a economia brasileira. Por um lado, o dólar mais caro beneficia a indústria e o setor exportador. O câmbio depreciado melhora a remuneração de quem exporta no Brasil. Por outro, prejudica quem importa e tem impactos negativos na inflação.
É um novo recomeço para todas as nações do planeta. E um risco a mais, aqui, em terras crioulas.

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EDUCAÇÃO RECONCILIANDO O BRASIL – Crônica de Rinaldo Barros

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Começo lembrando ecos do nosso passado, nosso pecado original: o Brasil, ao abolir a escravidão, em 1888, não garantiu aos negros o acesso a uma educação de qualidade. Esse registro histórico é importante para explicar o enorme déficit que se foi acumulando devido a essa omissão do poder público brasileiro. Em decorrência disso, a marca da desigualdade vem sendo passada de geração a geração. Relembro: 53% da população brasileira é composta por negros e descendentes.
Daí a grande responsabilidade que pesa sobre nossos ombros para mostrar que não serão em vão os esforços para adquirir cultura e conhecimento. Do jeito que está hoje a situação, no patropi, é muito difícil convencer um jovem de que ele será capaz de ganhar mais dinheiro se continuar numa escola do que se entrar no circuito das drogas. O pior é que as evidências cotidianas provam o contrário.
No caso do Brasil, há ainda o obstáculo do egoísmo secular e abissal das elites que se recusam a enfrentar esse quadro dramático e a fazer o que está ao seu alcance.
Paradoxalmente, todo mundo concorda que o grande desafio é transformar a Educação em alavanca do desenvolvimento. Nesta direção, os investimentos em tecnologia e, particularmente, as tecnologias de informação e comunicação (TICs), podem ser de grande ajuda nesse processo.
Está mais do que comprovada a contribuição positiva que as tecnologias de comunicação podem dar na ampliação do acesso à educação e na melhoria da qualidade de materiais de aprendizagem a custos significativamente menores que os envolvidos em outras modalidades mais tradicionais de ensino quando populações grandes e dispersas devem ser atendidas.
A UNESCO tem procurado apoiar todas as possíveis formas de estender educação de qualidade ao maior número de pessoas possível e, no caso do uso das TICs, chama a atenção para o fato de que o uso combinado de várias tecnologias é provavelmente a melhor forma de atender aos fins educacionais.
A base para uma adequada combinação de tecnologias na Educação é o reconhecimento de que se devem mobilizar todos os recursos tecnológicos disponíveis para fins educacionais; e que os livros podem ser enriquecidos por outros meios para compor os elementos centrais na construção do conhecimento.
A educação presencial é ainda dominante, mas as universidades brasileiras, públicas e privadas, já começaram a oferecer cursos à distância, particularmente para a capacitação de professores.
A Internet já é um meio adotado por algumas escolas e universidades e é preciso estimular novas experiências na aplicação de tecnologias ao ensino no Brasil, seja na sala de aula ou à distância, na educação formal ou nas várias modalidades de educação continuada, ao longo da vida.
Vibro quando imagino que é possível nos apropriar da Tecnologia da Informação e Comunicação para construir redes solidárias, que articulem experiências e práticas testadas historicamente, construindo para a nossa terra uma alternativa humanizadora, inclusiva, democrática e cidadã.
Sonho com a metrópole digital, falo de e-governo, o governo inteligente, onde o Prefeito da capital estará conectado permanentemente com seus auxiliares, outros prefeitos, outros níveis de governo e com o Terceiro Setor, em tempo real. Seria como nos redimir, reconciliando nossa sociedade com o seu futuro.
A Educação é o principal vetor capaz de alinhar o desenvolvimento econômico com o social – um dos grandes desafios brasileiros. Portanto, valorizar a oferta de uma educação de qualidade, e não de qualquer educação, é um passo decisivo para um país mais justo. Isso significa oferecer a todos uma educação básica que leve o aluno a aprender o que é esperado a cada ano escolar, que o possibilite a concluir o ensino médio na idade correta, aos 17 anos de idade; e que o capacite a dar prosseguimento aos estudos, no ensino superior ou na formação que escolher para se preparar para o mundo do trabalho.
A educação de boa qualidade é fundamental como elemento de libertação e de justiça social. O colapso do sistema educacional brasileiro é pior do que a pobreza da nossa população. Por isso, devemos dar à educação brasileira um clamor de urgência nacional, de total prioridade.
Atualmente, com um cenário de corrupção sistêmica, alta de juros, dólar e inflação nas alturas, desemprego assustador, famílias endividadas, insatisfação popular crescente, greves de diversas categorias profissionais, vácuo de liderança, ausência de governabilidade, e investidores ainda com medo do Brasil; a Educação de qualidade, a Reforma do Ensino Fundamental e Médio, que era um assunto que estava anos-luz da realidade política brasileira, agora, está na Ordem do Dia.
Este debate sobre o papel da Educação, mais do que nunca, é importante para o fortalecimento da Democracia e o caminho para a dinamização da Economia. Será a Educação reconciliando o Brasil.

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