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Política

A TERCEIRA VIA – Crônica de Rinaldo Barros

TERCEIRA VIA
A conversa de hoje tem o condão de religar as vidas de milhões de pessoas com a história recente e com a busca desesperada de uma teoria que mostre a saída para a crise que se aprofunda no mundo globalizado. Vejamos.
As recentes notícias de dezenas de brasileiros que tiveram a sua entrada negada na Espanha trazem à tona uma realidade que, até algum tempo, era desconhecida: os maus-tratos sofridos por aqueles que viajam para outros países. Somente no ano passado, a Espanha impediu a entrada de três mil brasileiros.
Estima-se que mais da metade dos migrantes brasileiros que cruzam as fronteiras o fazem de maneira ilegal. Os consulados que mais informam a detenção de brasileiros no exterior são Miami (1.200 presos), Madri (400), Nagoya, no Japão (224), e Lisboa. Na verdade, os migrantes ilegais são pessoas que topam todos os riscos de uma viagem clandestina em busca de uma vida melhor, e acabam, às vezes, ficando vulneráveis à marginalidade por falta de boas oportunidades de trabalho.
É importante entender que o endurecimento das exigências para os imigrantes é resultado de uma crise do sistema, a qual vem crescendo há quase duas décadas. Vejamos.
Com a queda do Muro de Berlim, em 1989 e, dois anos depois, da URSS, encerrou-se o modelo soviético de revolução comunista. Os efeitos desastrosos de mais de 70 anos de ditadura do proletariado na Rússia e nos países satélites ficaram expostos aos olhos do mundo.
A Alemanha ali despejou centenas de bilhões de dólares, depois da unificação. Apesar disso, tal política ficou frustrada, e é apontada como uma das causas da recente derrota eleitoral de Helmut Kohl.
Por razões que escapam aos limites deste artigo, também na Rússia essa maciça inversão de capital teve insucesso. E a bancarrota da Rússia está na origem de desequilíbrios financeiros e econômicos muito além de suas fronteiras. Tais fracassos seriam absorvíveis se o capitalismo globalizado não estivesse também em crise.
Cabe lembrar, de passagem, a crise financeira que assolou seriamente e ainda abala a economia de países asiáticos. O próprio Japão não escapou ao furacão financeiro.
Constata-se que países que adotaram o modelo do capitalismo globalizado estão encontrando dificuldades cada vez maiores para solucionar seus problemas. A ganância, a busca desenfreada de riquezas, sem falar nas guerras, tem produzido distorções até mesmo na robusta economia norte-americana, hoje na marca do pênalti para entrar em recessão.
A propósito, de acordo com o chefe do FMI, Dominique Strauss-Kahn, os países emergentes também serão afetados pela crise financeira que, no momento, atinge principalmente os Estados Unidos e os países mais desenvolvidos.
A intelligentsia de esquerda, em nível internacional, vem denunciando o fracasso de ambos os modelos, e sugerindo algo novo. Nem capitalismo neoliberal, nem comunismo estatista: a saída está na Terceira Via. Que danado será isso?
Ora, se a chamada Primeira Via se referia às idéias socialistas tradicionais, radicais e estatais em si mesmas, e a Segunda, ao neoliberalismo e ao fundamentalismo de mercado; a Terceira Via seria a busca da renovação da democracia social nas condições contemporâneas.
O foco deste artigo, portanto, é o debate da forma como esta Terceira Via poderá contribuir para o progresso das nações.
Isso significa oferecer respostas a três mudanças que afetaram o mundo nas últimas décadas: 1) a globalização; 2) a emergência do conhecimento, incluindo-se aí a Internet, e as profundas mudanças na vida cotidiana das pessoas, com a ascensão do individualismo e; 3) a inserção definitiva da mulher no mercado de trabalho, entre outros fatores.
Resumo da ópera: a Terceira Via seria a gradativa implementação de uma economia inclusiva e pujante, servindo de base para uma sociedade democrática, com desenvolvimento sustentável, controle social e pleno emprego.
Para concluir, aqui no patropi, as forças políticas que sustentaram o governo de Michel Temer nestes difíceis, tumultuados últimos 12 meses devem entender que têm um compromisso não com o atual presidente da República, mas com a Nação. Sem o apoio delas, não haverá futuro. Não para o governo, mas para o Brasil. Resistir, persistir, lutar e andar para frente, e não voltar para trás, é o que é preciso.
Sem lugar para autoritarismos.

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ATALAIA PARA O PATROPI – Crônica de Rinaldo Barros

olhar o mundo
“Na vida é preciso ter raiz, não âncora. A raiz te alimenta, a âncora te imobiliza. ” (Mário Sérgio Cortella, filósofo brasileiro)
Esta conversa foi difícil de nascer frente à avalanche de informações que a realidade nos presenteou nos últimos dias. Soterrado pela montanha de notícias, este escrevinhador sofreu diante da tela em branco.
Encontrei a saída numa comparação entre dois mundos, aparentemente, diferentes: França e Brasil.
Apesar da distância no nível de riqueza e cultura, França e Brasil têm muitas semelhanças. A República Francesa convive com um gigantesco setor público que drena quase sessenta por cento da riqueza nacional, o mais caro entre as nações desenvolvidas. O corporativismo também é marcante na economia francesa. Cerca de dez por cento da população local é composta por funcionários públicos.
O programa de governo de Macron começa pela redução da gordura do Estado. Inclui reforma trabalhista, manutenção de idade mínima para obtenção de aposentadoria, desburocratização de negócios privados e maior integração comercial com o resto do mundo.
Tudo muito similar ao que o Brasil precisa fazer.
Em termos mais objetivos, a proposta que elegeu Macron contempla corte de 120 mil cargos públicos, um copo d’água no oceano dos quase 6 milhões de servidores que o Estado francês mantém. E também a redução de impostos e encargos sobre salários, além de prever a possibilidade de flexibilizar a jornada de 35 horas semanais de trabalho para estimular a geração de emprego e brecar os dez por cento de desemprego.
Macron foi eleito com sessenta e seis por cento dos votos válidos (lá o voto não é obrigatório) defendendo abertamente ajuste nas contas públicas, cortes de gastos, enxugamento da máquina. Levará adiante uma reforma para moralizar a política. E temperou sua proposta de programa de governo com a defesa de direitos e liberdades individuais, bem como medidas ambientais em favor de uma matriz energética mais limpa em toda a Europa.
Lá como cá, as reações eram previsíveis. No primeiro dia após a vitória de Macron, já aconteceram os primeiros protestos antirreforma. Nenhuma surpresa: mobilizam-se os sindicatos, sempre eles, contrários ao que consideram “perda de direitos”.
Qualquer semelhança com os sindicatos brasileiros não é mera coincidência…
As reações são prova do êxito de Macron. Ele venceu porque teve lado. Foi direto e firme ao defender suas propostas.
Venceu porque peitou de frente com o populismo, tanto de extrema direita quanto de extrema esquerda, cujos partidários preferiram ficar em casa a votar no domingo. Macron triunfou por resistir a políticas protecionistas e antiglobalização. Sagrou-se vitorioso sem prometer o inexequível, sem usar a mentira para conquistar votos. Sem bolsas nem cotas.
Seu desafio agora é transformar o apoio que obteve nas urnas no domingo em suporte parlamentar, em eleição marcada para junho, e conquistar os reticentes que preferiram se abster ou votar branco e nulo.
A vitória de Emmanuel Macron na França tem muito a ensinar à situação política brasileira. Mais novo presidente da história francesa, ele elegeu-se surfando numa agenda de reformas, com viés liberal, e resistindo aos extremos populistas e estatizantes das propostas de seus adversários.
A França talvez esteja nos ensinando que uma agenda claramente liberal e reformista tem grandes chances de êxito em economias engessadas por corporativismos, direitos considerados arraigados e intocáveis e privilégios deploráveis em nações vergadas pelo peso do Estado.
Um belo farol para o Brasil.
Oxalá, aponte caminho para o patropi que irá às urnas em 2018.

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DERROCADA DO HOMO SAPIENS – Crônica de Rinaldo Barros

homosapiens

Em artigos anteriores, abordei, a voo de pássaro, a história do surgimento da vida em nosso planeta. Lembro que o Homo sapiens sapiens (também chamado de pessoa, gente, homem) surgiu há aproximadamente 200 mil anos atrás, possivelmente na África. Em verdade, deveríamos falar que o que somos hoje é o resultado da intersecção de duas histórias paralelas: a história natural e a história social.
Daí porque a própria evolução deve ser repensada como uma co-evolução. Os Homo sapiens sapiens co-evoluímos em conjunto com as outras espécies, com o meio ambiente e com o cosmos. Ou seja, participamos de um sistema vivo complexo, aberto e em expansão. Voltemos ao começo.
Após a derrocada dos nossos primos, Homo Sapiens neanderthalensis, ficou a impressão de que a nossa subespécie, Homo sapiens sapiens, a exemplo dos demais animais, passaria a relacionar-se com a Natureza como uma unidade harmoniosa. Santa Ingenuidade! No começo, até que era assim. Mas, alguns de nós logo descobrimos o fascínio que é exercer o poder sobre os demais. E as formações sociais tornaram-se cada vez mais divididas.
A ciência comprova que foi na passagem do estágio superior da barbárie para a civilização que, com um maior domínio sobre a Natureza, pôde o homem aumentar sua produção e com isso obter um excedente.
Neste momento, nasceu a ganância.
Surge então a propriedade privada, a divisão do trabalho e com ela um salto no desenvolvimento da história. Com a propriedade privada, os produtores não produzem mais em comum para seu próprio consumo, mas individualmente. E se separam do resultado de seu trabalho, não sabem mais de seu destino. Agora produzem para a troca, para a venda. Percebemos que tudo pode virar mercadoria.
Surge a exploração individual da terra e sua posse privada, tornando-a, por conseqüência, uma mercadoria. No seu desenvolvimento, a troca fez surgir o mercador. Alguém separado totalmente da produção que passa a dominar o produto e a produção.
O mercador, como parasita, passa a dominar e acumula grande riqueza e com ela, prestígio e poder. Aparece o dinheiro e a moeda cunhada, instrumento de domínio do mercador sobre os produtores e a produção.
O dinheiro, como equivalente geral, elevou-se à condição de mercadoria especial. Aparecem o empréstimo, os juros e a usura. Logo, o próprio homem, como força de trabalho, virou também mercadoria.
O conflito social entre classes antagônicas levantadas sobre o modo de produzir desenvolve-se como fator subjetivo na condição de motor da história, impulsionando o desenvolvimento da tecnologia, e da competição.
Como ensina Oscar Motomura (motomura@amana-key.com.br), “tecnologia nada mais é do que a extensão de nosso dom de criar”.
Definitivamente, o Homo sapiens sapiens é um ser que cria. É a nossa natureza, nossa essência.
Gradualmente, século após século, década após década, ano após ano, cada vez mais rapidamente, vamos descobrindo mais e mais sobre como tudo funciona.
Mas criamos para quê? Com que propósito, estamos usando o dom de criação? Para que criamos novas tecnologias, novos produtos, novos jeitos de morar, de cozinhar, de movimentar, de transportar, de comunicar?
Imagine o leitor os impactos positivos que poderiam advir com a aplicação do conhecimento novo nas áreas da Biotecnologia (genes), da Neurociência (neurônios) e da Nanotecnologia (átomos).
Essa brincadeira poderia até estar nos levando a criar mais e mais produtos para melhorar a vida e potencializar o conforto de bilhões de seres humanos. Mas, apenas a minoria está sendo beneficiada.
Sem falar na tecnologia a serviço da irracionalidade destruidora das guerras. Guerra também dá lucro.
Com nossa insuperável estupidez, inventamos a barbárie tecnológica (vide Iraque, Síria, Ucrânia, Israel, Palestina e algo em torno de 19 guerras no continente africano; todas com efeitos devastadores).
O que fazer para que não se consolide a regressão moral do homem pós-moderno (egoísta, acanhado, agachado, pequeno, sem grandeza), para o qual somente importa o “Eu” e o “Agora”?
Resumo da ópera: a desigualdade e a ganância resultam na agressão à Natureza, no desvio de recursos tecnológicos – e em nossa própria capacidade criativa – para a busca do lucro máximo e do consumo supérfluo, motores da derrocada do homo sapiens (assim mesmo, com minúsculas).

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IDEIAS: MAIS LUZ QUE CALOR – Crônica de Rinaldo Barros

Deus e o Homem
A conversa de hoje corre atrás de uma saída para o “imblóglio” que estamos todos emaranhados. Uma tentativa de encontrar um caminho iluminado para o conjunto de nossa sociedade.
Acredito que é fundamental ver o mundo com olhos de criança, como se o estivesse vendo pela primeira vez. Na verdade, a gente sempre vê o mundo pela primeira vez. O mundo se renova a cada dia.
O mundo que vi há um segundo, não existe mais. Tudo se transforma permanentemente.
No bojo da crise que nos atormenta, há tudo para que se acelere o crescimento socioeconômico no Brasil, o que já se prenunciava antes: a busca de um conjunto de experimentos na maneira de organizar nossa sociedade que amplie, em proveito dos homens e das mulheres comuns, as oportunidades econômicas e educativas.
É preciso que as crianças, logo que aprendam a ler, aprendam também o prazer de consultar os dicionários. Quantos estudantes consultam hoje os dicionários?
Aliás, aprendi com o filósofo Rubem Alves que, ao retirar a imprecisão da linguagem falada, os dicionários cometem um assassinato. Os dicionários não, os gramáticos. Os gramáticos são os anatomistas da língua. Lidam com um corpo morto.
Quando escrevo, brinco com a alma, tentando tocar a mente e o coração de quem me lê.
E que dê braços, asas e olhos à energia humana, frustrada e dispersa, que fervilha em nosso país.
Propomos construir juntos iniciativas exemplares, que têm tudo para contar com a simpatia e com a participação de muitos cidadãos de boa vontade.
Entre as áreas mais propícias, três merecem atenção especial.
1. Desenvolver as alternativas de energia renovável. Em vez de ficarmos vidrados nos interesses imediatos que nos dividem, é melhor construir as possibilidades futuras que podem nos unir. Trabalhar juntos para transformar os agro combustíveis nas commodities que ainda não são. E para obter os avanços científicos e técnicos que permitirão mobilizar o potencial energético da biomassa – até que se possa mobilizar melhor o potencial das energias solar e eólica, diretamente.
2. Soerguer milhões de empreendimentos emergentes e pôr as finanças a serviço da produção (e não do consumo e do crédito). A crise financeira de agora impõe-nos tarefa mais importante do que a de regular os mercados financeiros: a de aproveitar melhor, mais objetivamente, o potencial produtivo do dinheiro reunido nos bancos e nas Bolsas para estimular empresas que produzem bens e serviços, gerando bons empregos.
O cumprimento dessa tarefa começa no esforço de dar às pequenas e médias empresas condições para ganhar acesso ao capital e para qualificar-se em tecnologias, conhecimentos e boas práticas.
3. Tomar as medidas necessárias para garantir, em todo o ensino público, um padrão mínimo e universal de qualidade. O avanço de nossas sociedades passa pela efetivação de um princípio singelo: cuidar para que a qualidade da educação que uma criança recebe não dependa do acaso ou do lugar onde ela haja nascido.
Duas iniciativas podem abrir o caminho:
A primeira é desenhar uma escola média que reúna e que renove o ensino geral e o ensino técnico, com fronteira aberta entre os dois. Ensino geral focado em análise verbal e numérica, não em informação enciclopédica. Ensino técnico dedicado a capacitações práticas flexíveis, não ao domínio de ofícios rígidos.
A segunda iniciativa é providenciar a gestão local das escolas pelos Estados e municípios com padrões nacionais de investimento e de qualidade. Não basta avaliar nacionalmente as escolas e redistribuir recursos de lugares mais ricos para lugares mais pobres. É preciso também recuperar redes de escolas locais que tenham caído abaixo do patamar mínimo aceitável de qualidade.
Parte da solução é associar os três níveis da Federação em órgãos conjuntos, vocacionados para apoiar, socorrer e reparar as escolas ineficientes. É o rumo da federalização de todas as escolas brasileiras, associada a uma Lei de Responsabilidade Educacional. “É o caminho, a verdade e a vida”.
O que unifica e orienta todas essas propostas é a disposição de reorganizar a economia de mercado em proveito da maioria trabalhadora. Hora de reconstruí-la, não apenas de contrabalançar suas desigualdades por meio de transferências sociais. Chega de bolsas e cotas!
Alvissareiramente, longe do falso conflito entre “nós” e “eles” pregado pelo PT; há no Brasil um grande, muito grande, conjunto de pessoas (do bem) dispostas a se mobilizarem em torno de ideias generosas.
A hora é essa. É a hora das ideias – mais luz que calor – para que o patropi encontre rumo outra vez.

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ESCOLA PARA POBRE DEVE SER RICA – Crônica de Rinaldo Barros

Sala de aula
“Ser culto é a única maneira de ser livre”. (José Marti, 1853-1895)
Sei (?) que o caro leitor compreende (?) a importância e o alcance de sua missão, aqui e agora, no Planeta. E relembro que, na história da Humanidade, algumas transformações importantes somente ocorreram porque uma determinada pessoa estava no lugar certo, e no momento certo.
A premissa desta minha ousadia se prende à constatação histórica de que as regiões com maior desenvolvimento são aquelas que fizeram e fazem maiores investimentos em prol da Educação de qualidade.
Estas afirmações óbvias, caro leitor, formam um pano de fundo para trombetear que o Rio Grande do Norte já possui potencial e mecanismos capazes de alavancar o seu desenvolvimento e, melhor ainda, com excelente capital humano, nas universidades e fora delas, pronto para ser convocado.
Sei que você sabe que a Educação não pode ser um projeto de governo ou um projeto de partido, mas um projeto da sociedade, um projeto de Nação.
É imprescindível voltar a transmitir valores universais para nossos jovens, à luz da igualdade de oportunidades, pluralismo de idéias e concepções, valorização e resgate moral do papel do professor e vinculação da escola ao mundo do trabalho. Mas, é fundamental transformar não apenas a vida do aluno tornando as escolas divertidas e prazerosas, mas todo o seu espaço de convivência. Que haja, no quintal de cada escola, uma horta ou um pomar, à chuva e ao sol, onde cada estudante plante uma árvore.
Governantes! Urbanizem os espaços degradados, emprestando-lhes vida digna.
É igualmente imprescindível adotar a educação científica em todas as escolas, a exemplo da inovadora Escola Alfredo Monteverde (Cidade da Esperança (em Natal) e Macaíba), integrante das linhas de ação do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (IINN), já em pleno funcionamento, sob a coordenação da pedagoga Dora Montenegro, o que coloca o Rio Grande do Norte no mapa da ciência mundial, através do trabalho competente do cientista Miguel Nicolelis.
Depois de dominar o sistema de escrita, as crianças devem ser estimuladas a ler para compreender o mundo e a ter mais responsabilidade na melhoria dos seus próprios textos.
Aprendamos com essa experiência, para servir ainda mais ao desenvolvimento da população.
Tenho certeza (?) que a Agenda da Educação do atual Governo vai investir forte no novo modelo de alfabetização, na construção de escolas-padrão e novos centros de ensino integrado à educação profissional, instalação de mais bibliotecas e laboratórios, com a valorização dos professores, além de implementar totalmente o Plano de Cargos, Carreira e Remuneração dos professores.
Sei (?) que aumentarão os investimentos na qualificação dos professores, oferecendo formação continuada; e que o Governo vai premiar com o 14º salário os professores que se destacarem no compromisso de melhorar a qualidade da educação pública.
Todavia, caro leitor, falta também praticar um modelo de gestão que assegure a elevação do padrão de qualidade da educação, com base no compartilhamento e co-responsabilidade, através de contrato público entre a Secretaria de Educação e a direção de cada escola, assegurando incentivos por meta atingida para reduzir a evasão e a repetência, na busca da qualificação da força de trabalho jovem; levando por todos os cantos, a esperança em forma de capacitação, atualização e aperfeiçoamento para todos.
Não se deve perder de vista que a luta pela superação dos problemas do desemprego, da exclusão, da pobreza e das desigualdades sociais, precisa levar em conta as intervenções governamentais no campo da Tecnologia da Informação. Vide exemplo do Instituto Metrópole Digital (IMD).
Penso que é indispensável nos apropriar da Tecnologia de Informação para construir redes solidárias, que articulem experiências e práticas testadas historicamente, construindo para a nossa terra uma alternativa humanizadora, inclusiva, democrática e cidadã.
Falo também do Ensino a Distância (EAD), falo de e-governo, o governo eletrônico, o governo inteligente, onde o governante estará conectado permanentemente com seus auxiliares, com prefeitos, com outros níveis de governo e com o Terceiro Setor, em tempo real.
O ciberespaço pode proporcionar uma das características mais fundamentais da vida de uma sociedade, a saber, a possibilidade de anulação das distâncias entre os ocupantes: a anulação da distância simbólica, pela comunicação eficaz sob forma digital.
Resumo da ópera: escola para pobre deve ser rica. De estímulos e recursos.
Esta é a oportunidade de agir de mãos dadas com a libertação do nosso povo, como queria Marti.

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MISTÉRIOS E DÚVIDAS INSONDÁVEIS – Crônica de Rinaldo Barros

CIÊNCIA E FÉ
“A religião do futuro será cósmica e transcenderá um Deus pessoal, evitando os dogmas e a teologia”. (Albert Einstein)
A conversa de hoje vai, provavelmente, conduzir o caro leitor a repensar questões que, na correria cotidiana, pós-moderna, não tem tempo para parar e refletir. Dúvidas existenciais.
Guardo uma atitude de perplexidade em relação às questões do transcendente: como surgiu o Universo? O Universo, foi criado ou apenas evolui e se expande infinitamente desde sempre? Por que existimos? Quem somos nós? Qual o sentido da vida humana? Existe vida após a morte do corpo físico, ou não? O que é o pensamento? O que realmente cria, arquiteta e decide, o cérebro (órgão físico) ou a mente (espírito)? Os espíritos permanecem entre os encarnados, ou se reintegram ao fluido universal? A matéria é uma forma transitória de energia, ou não? Tudo é energia, ou não? O tempo é relativo, ou é apenas uma convenção? As emoções têm base química, ou não? Há vida em outros planetas, ou não?
Minha mente flutua ora na direção da certeza, ora na direção da dúvida.
Todavia, existe uma questão ainda mais complexa que exige seriedade no seu tratamento.
Dia desses, ao afirmar que, honestamente, eu não conseguia compreender a questão da existência (ou não) de Deus, fui acusado de ateu. Protestei, pois me considero apenas um livre pensador, cujo cérebro limitado não alcança essa clareza acerca de algo tão complexo, digamos, fenômeno transcendente.
Poderia afirmar, com outras palavras, que eu não fui tocado pela graça de acreditar, de ter Fé.
Para julgamento do leitor, vou tentar definir os dois conceitos.
Ateu é aquele que se opõe terminantemente à idéia de Deus, seja qual for o nome ou aspecto sob o qual ele apareça. Ateísmo é apenas o nome que se dá ao estado de ausência de teísmo. (Ver História do Ateísmo – George Minois. São Paulo: Ed. Unesp, 1946)
O agnóstico, por sua vez, não se opõe propriamente a Deus, mas, sim, declara a (im) possibilidade de a razão humana conhecer tal entidade (gnose, palavra grega, significa «conhecimento»).
Os agnósticos achamos que, assim como não é possível provar racionalmente a existência de Deus, é igualmente impossível provar a sua inexistência, logo, constituindo um labirinto sem saída a questão da existência de Deus. Agnóstico é quem acredita não ser possível conhecer a Verdade sobre determinada questão ou fenômeno.
Por outro lado, há quem conjecture, frente à situação de miséria e violência crescente no mundo atual, que o século XX foi o século da morte de Deus. A religiosidade, todavia, continua viva em todas as sociedades. Como explicar a permanência histórica de religiões milenares?
Por sua vez, a Ciência positivista, da Mecânica euclidiana, fundada no Empirismo, desprendeu-se definitivamente de qualquer apelo ao sobrenatural, separando-se das crenças. Pergunto:
O que é Deus? Provavelmente, não seria um ser humano, uma pessoa, pois estaria presente em toda a imensidão do Universo, com bilhões de galáxias. Impossível para nossa limitada capacidade de deslocamento.
A mais atualizada posição sobre esta complexidade é apresentada pelas descobertas da Física Quântica, porquanto nos leva ao surpreendente mundo das nanopartículas, subatômicas, no qual os fenômenos ocorrem sob o conceito da não-localização e apenas quando são buscados pelo pesquisador. Ou seja, podem estar em qualquer parte e só se manifestam quando são procurados. Nessa direção, cientistas já encontraram uma partícula existente em todo o Universo, o bóson de Higgs, mais conhecido por partícula de Deus.
Deus seria uma inteligência universal composta e sustentada por energia quântica? Presente em todos os fenômenos, mas somente se manifesta quando é procurado? Seria a unificação da Ciência com a Religião?
Nossa existência parece um grande mistério insondável. Prefiro admitir minha incapacidade de compreender, a abraçar uma hipótese infundada ante este grande ponto de interrogação que é a vida.
Sejamos honestos: somos seres complexos, maravilhosos, capazes de empreendimentos notáveis, mas também bastante limitados, e não temos todas as respostas ao nosso alcance – pelo menos ainda não.
Relembro que, segundo o texto bíblico, à frente de Pôncio Pilatos, Jesus silenciou quando aquele lhe perguntou: o que é a Verdade? Se até Jesus calou, quem sou eu para afirmar que compreendo algo tão grandioso? Acho que estou em boa companhia. Fica o leitor com a tarefa de concluir essa reflexão.

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