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Leia a Obra

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O HOMEM QUE DECIFROU NOSSO TEMPO – Crônica de Rinaldo Barros

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O sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman morreu nesta segunda-feira, 9 de janeiro de 2017, aos 91 anos. Ele vivia em Leeds, na Inglaterra, há décadas, e foi o criador do conceito “modernidade líquida”.
Bauman foi um dos intelectuais-chave do século 20 e se manteve ativo até os seus últimos dias. De acordo com uma amiga da família e professora de filosofia em Varsóvia, Bauman morreu em casa, cercado pela família. Uma bênção concedida a quem tem merecimento.
Sua obra, que inclui mais de 50 livros e ganhou proeminência nos anos 1960, foi reconhecida com diversos prêmios, entre eles o Príncipe de Astúrias de comunicação e humanidades, em 2010.
Zygmunt Bauman presenciou os principais acontecimentos do século 20 e na virada do milênio criou uma teoria — a liquidez do nosso tempo — que levaria seu nome para além do campo da sociologia e o tornaria um escritor best-seller.
Seus trabalhos também exploram a fragilidade das conexões humanas nos tempos modernos e a insegurança gerada por um mundo em constante transformação.
Bauman nasceu na Polônia em 1925.
Veja abaixo alguns dos seus inúmeros livros:

44 CARTAS DO MUNDO LÍQUIDO
Como separar o que é importante e significativo do que é supérfluo e descartável? Essa foi a intenção do sociólogo Zygmunt Bauman ao ser convidado pela revista italiana La Repubblica delle Donne a escrever cartas comentando aspectos do que o sociólogo chama de ‘mundo líquido moderno’. Surpreende a capacidade do sociólogo em descobrir significados sob atos aparentemente simples – uma chamada ao celular, a exposição de uma foto no Facebook, um outdoor, entre outros. Todos esses fatos que parecem casuais e desconectados se unem para reforçar a aflição do homem no mundo líquido: buscar identidade.
A CULTURA NO MUNDO LÍQUIDO MODERNO
Em nossa era líquido-moderna, na qual todas as hierarquias se dissolvem e os indivíduos passam de produtores a consumidores, a cultura já não é humana, mas de grupos, de guetos, e a agenda contemporânea põe na ordem do dia temas como cidadania, direitos humanos e convivência. Contudo – alerta-nos Bauman -, mais que lutar pelos direitos da diferença, deveríamos nos empenhar pelo direito à igualdade.
CEGUEIRA MORAL
O mal não está restrito às guerras ou às circunstâncias nas quais pessoas atuam sob condições de coerção extrema. Hoje ele se revela com frequência na insensibilidade diária diante do sofrimento do outro, na incapacidade ou recusa de compreendê-lo e no desejo de controlar a privacidade alheia. A maldade e a miopia ética se ocultam naquilo que consideramos comum e banal na vida cotidiana. Em um mundo em que se você não está nas redes sociais, não está em lugar nenhum, novas formas de censura correm soltas nas demonstrações de ódio via internet.
GLOBALIZAÇÃO – AS CONSEQUÊNCIAS HUMANAS
Sem oferecer todas as respostas sobre o tema, o sociólogo polonês mostra nesta detalhada história da globalização as raízes e as consequências deste processo, tentando dispersar um pouco da névoa e da banalização que cercam o termo ‘globalização’. Numa análise instigante, Bauman convida os leitores a uma reflexão sobre os efeitos da globalização – premissa supostamente inquestionável a respeito do nosso modo de vida – na política, na economia, nas estruturas sociais e até em nossas percepções de tempo e espaço.

Mestre Bauman, permita que o chame de você. Você dizia que não conseguiu aprender outra forma de ganhar a vida a não ser escrevendo. Acredite, foi o melhor que poderia ter acontecido para a humanidade.
O resultado foi muito bom. Você vai fazer muita falta.
Adeus, Mestre Zygmunt Bauman!

(*) Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com