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RENUNCIE, MULHER! – Crônica de Rinaldo Barros

Renuncie, mulher! Aqui, somos noventa por cento do povo a pedi-lo. Entre esses tantos, alguns velhos companheiros a quem tu admiravas com sorriso encantado quando chegou ao partido dominado pelo Lula, tão somente para ser ministra das Minas e Energia, lembra?
Todos nós passamos por momentos em que nos enganamos quando as circunstâncias se confundiram com a existência. É comum a confusão entre o transitório e o permanente.
Com justos motivos, você avalia suas opções levando em conta o que diz o ex-presidente Lula, o apoio do senador Renan Calheiros e até mesmo a agressiva posição representada por Eduardo Cunha. Você, mesmo sem confiar, pensa até no PMDB como eventual aliado para se segurar. Tudo circunstancial, e incerto.
O seu próprio partido – dividido e sem rumo – já não tem mais como te defender.
Até mesmo o Lula já te chamou de “incapaz”, de ouvir e de governar.
Ao Lula, que deseja ser candidato novamente, em 2018, convém um Congresso desmoralizado. Aos seus “aliados” do PMDB interessa mostrar que eles detêm os poderes de embalsamadores; até porque já consideram que você está morta – politicamente, é claro.
Todos sabemos que tua face não revela bonomia, todavia, todos os dias demonstras – pela tua fala desconexa e descontextualizada – que não és adequada para assumir as imensas responsabilidades do mais elevado cargo da Nação; que ocupas sem nem entender como lá chegastes.
Soube, de fonte insuspeita, que já decidistes escrever a carta-renúncia, após perceber a “incapacidade do teu governo de impedir derrotas na Câmara”. É o melhor a fazer.
Com uma situação de impopularidade nunca antes vista na história do Brasil, e envolvido em escândalos gigantes da magnitude da Petrobrás, Eletrobrás, BNDES e pagamentos milionários a muitos lobistas de empreiteiras, bancos e montadoras; o teu governo caminha inexoravelmente para uma única saída: um humilhante processo (político) de impeachment pelo Congresso Nacional, ou a dignidade da renúncia.
Se não fores capaz de admitir erros e renunciar, o país assistirá à desarticulação crescente entre o teu governo e o Congresso. Não há outra opção.
Caminhas perigosamente para o brejo, onde serás humilhada de variadas formas, a golpes de Lava Jato.
Falta ao teu governo “a base ética” que, na opinião de muitos analistas, foi “corroída pelas falcatruas do lulopetismo”. Mesmo que tu possas te salvaguardar pessoalmente, teu governo sofre “contaminação dos malfeitos de seu patrono e correligionários” e, com isso, a meu ver, já perdestes a condição de governar.
Como diria o saudoso Ulisses Guimarães, “você pensa que é presidente, mas já não é mais”.
A propósito, a possibilidade de tua renúncia já não é descartada dentro do próprio PT. Dirigentes históricos ligados ao ex-presidente Lula, acreditam que tu poderias ser levada a uma atitude extrema em caso de total ingovernabilidade do país – o que poderá ocorrer na hipótese de derrota fragorosa do pacote fiscal enviado ao Congresso; com o caos invadindo todos os setores da economia brasileira.
Por outro lado, as manifestações explícitas nas ruas e nas redes sociais demonstram claramente a persistência do sentimento popular de que o seu governo, embora legal, tornou-se ilegítimo; pelas mentiras anunciadas durante a campanha eleitoral de 2014, e pela dureza das medidas do ajuste fiscal indispensável, mas que não tivestes a coragem de negociar com os atores envolvidos.
Os brasileiros, todos nos sentimos traídos, e estamos convictos de que o mesmo povo que te elegeu tem o poder de interromper o teu mandato. Para o bem de todos.
A esta altura, os conchavos de cúpula que improvisas nos salões do Palácio do Planalto só aumentam a reação popular negativa e não devolvem legitimidade ao teu governo.
Caso não sejas capaz de um gesto de grandeza, renunciando; assim como os jovens de hoje não lembram o que foi a UDN, os de amanhã não lembrarão quem foi Dilma Rousseff. E a História não te absolverá.
Saia desse contratempo e carregue teus penares, salvando tua biografia.
A crise é tua, mas a essa altura a solução – tua renúncia – interessa a todos os brasileiros.
Orgulhe-se da tua alvorada. Não compartilhe o crepúsculo com seus coveiros.
Renuncie, mulher!

(*) Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com